Autores
Emma Siliprandi
Fecha de publicación
2009/10
Revista
Agricultura familiar camponesa na construção do future. Rio de Janeiro: AS-PTA
Descripción
No início dos anos 2000, um novo cenário começou a se delinear e a repercutir no movimento sindical rural e de luta pela terra, entre outras esferas dos movimentos sociais do campo: as mulheres agricultoras passaram a apontar para novas questões, que iam além da simples garantia da sobrevivência do modo de vida camponês. Naquele momento, elas passaram a exigir do Estado, da sociedade e dos próprios movimentos uma revisão do lugar destinado a elas nesses modelos. Ademais, começavam a desenvolver políticas de aliança próprias, organizavam eventos públicos, enfim, mostravam força política. Nas discussões propostas por elas, emergiam questões claramente vinculadas com o campo ambiental, ao mesmo tempo em que pautavam temas historicamente trazidos pelo feminismo. Foi o reconhecimento dessa realidade que me fez querer entender como puderam dar esse salto, assumindo um discurso militante que procurava, justamente, integrar esses dois campos, do ambientalismo e do feminismo. Estava claro que estavam se constituindo como novos sujeitos políticos, e esse aparecimento na cena pública merecia atenção.
Após muitas décadas de mobilização e articulação das mulheres rurais em torno do reconhecimento da sua profissão, do direito à sindicalização e da garantia de sua autonomia financeira e produtiva, elas começam a identificar e a denunciar as diversas formas de violência também dentro das famílias rurais, que muitas vezes não é percebida como tal: a proibição de ir a uma reunião; a falta de espaço na família para discutir as questões estratégicas da produção; a falta de acesso ao …
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E Siliprandi - Agricultura familiar camponesa na construção do future …, 2009