Autores
Rafael de Bivar Marquese
Fecha de publicación
2008/9/1
Revista
Revista USP
Número
79
Páginas
118-131
Descripción
Este artigo procurará explorar como os destinos de Brasil e Cuba se entrelaçaram após 1808. Os eventos daquele ano representaram claramente um ponto de inflexão nas estruturas históricas do sistema atlântico ibérico. Por um lado, a invasão napoleônica, a captura da família real espanhola e a fuga da família real portuguesa para a América cindiram as trajetórias dos dois impérios ibéricos. Enquanto, no caso espanhol, a eclosão do movimento juntista na metrópole encontrou rápida resposta no ultramar, abrindo para todos os efeitos o processo de independência das colônias continentais, no caso português o estabelecimento da sede da monarquia no lado de cá do Atlântico e a série de medidas então tomadas, em especial a abertura dos portos às nações amigas, modificaram por completo a tessitura imperial sem que houvesse questionamentos imediatos ao mando dos Braganças. Por outro lado, a abolição em 1807, pelo Parlamento da Grã-Bretanha, do tráfico transatlântico de escravos para suas possessões nas Índias Ocidentais deu início, no ano seguinte, à militância antiescravista internacional britânica. Nas próximas cinco décadas, o alvo prioritário de sua atuação seriam justamente Portugal, o Brasil independente e a Espanha–leia-se, aqui, Cuba.
A quebra da ordem imperial ibérica e a ação antiescravista britânica criaram de 1808 em diante o terreno comum no qual operaram os interesses escravistas no Brasil e em Cuba. Dado o limite de espaço, meu objetivo neste artigo será examinar o impacto das medidas empregadas pela corte sediada no Rio de Janeiro sobre a plataforma apresentada pelos porta-vozes dos …
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R de Bivar Marquese - Revista USP, 2008